Por Felipe Ades MD PhD – Oncologista Clínico

Câncer: um problema cada vez mais comum

O câncer vai ser uma doença cada vez mais comum em nosso meio. Em parte isso acontece por um bom motivo: estamos vivendo cada vez mais. Portanto, há mais tempo para que um câncer se desenvolva, mas por outro lado maus hábitos de vida podem facilitar o seu aparecimento.

O combate ao câncer é particularmente desafiador, pois é uma doença muito diferente em cada indivíduo. Ao longo da vida sofremos uma série de agressões aleatórias ao nosso material genético (o DNA), e o acúmulo destes defeitos vai levar uma célula normal do corpo a se comportar de maneira errada, crescendo descontroladamente e saindo do seu lugar de origem para crescer em outros órgãos à distância. Por isso, é importante conhecermos os fatores de risco que podem levar a essas lesões no DNA e adotar um estilo de vida saudável que reduza a chance do desenvolvimento de um câncer no futuro.

Câncer de próstata: o mais comum entre os homens.

O câncer de próstata é o câncer mais comum entre homens, mas não é a doença que mais mata. O câncer de pulmão continua como o principal causador de mortes por câncer entre os homens. Não existe um fator de risco que se destaque para o desenvolvimento do câncer de próstata, mas a influência de diversos agentes em conjunto aumentam o risco do seu desenvolvimento ao longo da vida.

Conhecendo os fatores de risco e adotando uma vida mais saudável para a prevenção do câncer de próstata

Diversos fatores favorecem o desenvolvimento do câncer de próstata, tais como a idade do homem (quanto mais velho, maior o risco) e o histórico familiar, quando parentes já tiveram a doença.

A obesidade é um importante fator de risco para o desenvolvimento de qualquer tipo de câncer. Foi estimado que cerca de 20% dos casos de câncer estejam ligados ao excesso de peso, de acordo com a Pub Med, incluindo o câncer de próstata.

Alimentação saudável na prevenção do câncer de próstata

Diversos estudos e testes identificaram que a prática de exercícios físicos isoladamente reduz em 25% a chance de desenvolver câncer. Um único hábito de vida é capaz de evitar 1 em cada 4 casos de câncer. Da mesma maneira, adotar uma dieta rica em grãos integrais, verduras, legumes, frutas e um consumo controlado de álcool, carne vermelha, processada e defumada, é capaz de reduzir o risco de desenvolvimento de câncer de próstata.

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Em conjunto, bons hábitos de vida são capazes de diminuir as chances de desenvolvimento de qualquer tipo de câncer em até 30% e isso é particularmente importante para doenças em órgãos sensíveis aos hormônios sexuais, como o câncer de próstata nos homens e os cânceres de mama, ovários e endométrio nas mulheres.

Não existe estudo que diga que um tipo de exercício físico é melhor que outro na prevenção do câncer de próstata. Estas avaliações são individuais e devem ser feitas por um profissional qualificado, levando em consideração as características de cada pessoa, gênero, idade, peso, altura, doenças prévias, etc. O importante é a constância dos bons hábitos de vida.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) para adultos é de pelo menos 150 minutos de atividade física por semana. Isto dá em torno de 30 minutos por dia, sem contar o final de semana.

Quem estiver começando pode seguir essa recomendação mínima, mas fique atento aos limites de seu corpo e não abuse!

A importância da atividade física na prevenção do câncer de próstata

É necessário fazer exame de rastreamento/prevenção do câncer de próstata?

Até o momento não foi demonstrado que a realização dos exames de PSA, toque prostático ou ambos, reduz a chance de falecer por um câncer de próstata, quando avaliamos toda a população de homens. Estes exames são capazes de descobrir a existência da doença, porém boa parte das anomalias detectadas são de crescimento lento e não levariam a pessoa a falecer devido ao câncer. No entanto, existe o câncer de próstata de crescimento rápido, uma doença que pode causar metástases e ser fatal.

A decisão de realizar os exames de rastreamento, portanto, deve ser conversada entre cada homem e seu médico, considerando os prós e contras em cada situação. É importante ressaltar que homens com histórico familiar de câncer de próstata, ou com mutações no DNA, como o gene BRCA, possuem um risco maior de desenvolver câncer de próstata. Para essas pessoas, o exame de rastreamento é o mais indicado.

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Quando se opta por rastrear, os primeiros exames devem ser feitos entre 45 e 50 anos de idade. Existem várias maneiras de fazer o rastreamento e alguns países optam por fazer apenas o exame de sangue PSA, enquanto outros preferem a combinação do exame de PSA e toque prostático.

Confira outras dúvidas sobre o câncer de próstata:

1. Andar de bicicleta pode ampliar os riscos da doença?

A prática de ciclismo não aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de próstata. O que pode acontecer é um aumento no exame de PSA (Antígeno Prostático Específico) caso a próstata seja comprimida por muito tempo durante a prática desse esporte. Mas isso não aumenta o risco da doença se desenvolver.

Andar de bike e a importância da atividade física na prevenção do câncer de próstata

2. Finasterida ajuda na prevenção do câncer de próstata?

Outra dúvida frequente é a relação do uso de finasterida com prevenção do câncer de próstata. Ainda não há nenhum estudo conclusivo a este respeito e a única pesquisa feita utilizou doses altas de finasterida, de 5mg, que são bem maiores que a dose de 1mg utilizada para a prevenção da queda de cabelos. Este estudo demonstrou redução do número de novos casos de câncer mas não mostrou diferenças em termos de vidas salvas. Possivelmente a finasterida impediu o surgimento de cânceres muito lentos da próstata (sim, isto existe!), que nunca causariam problemas mais sérios à saúde desses homens. Portanto não podemos recomendar o uso de finasterida com esse objetivo.

Sobre o autor:

Colaboração especial do Oncologista Clínico Felipe Ades MD PhD, mestre pelo Institut Gustave Roussy em Paris e doutor (PhD) no Institut Jules Bordet em Bruxelas. Atualmente trabalha no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
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